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Estrela Azul recorre a ônibus de outras empresas para operar linhas prejudicadas por paralisação

A Viação Estrela Azul recorreu à ajuda de outras empresas do Consórcio Intersul para driblar a paralisação dos seus funcionários e enfraquecer o movimento, motivado pelos atrasos nos pagamentos do ticket refeição e do 13º salário Enquanto na porta da garagem, no Sampaio, rodoviários impediam a saída dos ônibus, nos pontos finais de algumas linhas o movimento era normal, com trajetos sendo feito por coletivos de outras viações

A Estrela Azul foi a quinta empresa de ônibus a enfrentar uma paralisação de funcionários nesta semana As outras foram a Nossa Senhora de Lourdes, Rubanil, América e Madureira Candelária De acordo com o Sindicato dos Motoristas de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb Rio), das 39 empresas de ônibus municipais, 21 comunicaram à entidade, por meio de ofício, que estão enfrentando dificuldade para pagar o 13º salário de seus funcionários A maioria tem acenado com propostas de parcelamentos em até dez vezes

— É um clima de desespero total A proposta de parcelamento é um ingrediante a mais para o desespero dos trabalhadores que estão com salários e pagamentos de ticket refeição atrasados Cada empresa está propondo um tipo de parcelamento e em cada uma delas a reação dos funcionários é diferente — afirmou Sebastião José da Silva, presidente do Sintraturb, acrescentando que pelo menos 15 mil trabalhadores estão sendo prejudicados nestas empresas

Garagem da empresa, no Sampaio, na Zona Norte do Rio, com os ônibus no pátio Foto: Marcio Alves / Agência O Globo

O presidente do sindicato prevê um período de festas de fim de ano ruim para uma categoria que sequer teve reajuste salarial este ano, por conta do agravamento da crise das empresas, que elas alegam ser fruto do congelamento das passagens, no começo do ano, e de duas reduções de tarifa consecutivas, por decisão judicial Em entrevista ao EXTRA, em outubro, o presidente do Rio Ônibus Cláudio Callak já previa um cenário em que pelo menos 11 empresas não teriam como pagar o 13º de seus funcionários

As dificuldades enfrentadas levaram a categoria, reunida em assembleia nesta quinta-feira, a aprovar uma paralisação geral para o próximo dia 31 de dezembro O Rio Ônibus já antecipou que vai recorrer à Justiça, mas o presidente do Sintraturb está confiante de que o movimento desta vez será bem-sucedido, diferentemente do que ocorreu no último dia 21, quando a mesma estratégia das empresas impediu que os rodoviários cruzassem os braços

— Dessa vez não vai ter como argumentar irregularidade e pedir aplicação de multa, porque a lei fala em aviso com até 72 horas de antecedência e a paralisação foi aprovada um mês antes Também estamos providenciando para manter 20% da frota em circulação, como pede a lei— argumentou Sebastião José da Silva

O Rio Ônibus informou, nesta sexta-feira, que atualmente 15 empresas estão prestes a paralisar suas operações Nos últimos dois anos, sete encerraram suas atividades A situação de nove viações que estão com os pagamentos e ticket refeição dos funcionários em atraso foi alvo de uma mesa redonda no Tribunal Regional do Trabalho na última quarta-feira

Ainda segundo o Rio Ônibus, o 13º salário é uma preocupação das empresas, que comunicaram a proposta de parcelamento ao sindicato da categoria Para justificar as dificuldades enfrentadas, as empresas alegam que a tarifa do Rio, congelada no início do ano pela prefeitura, é a menor entre capitais como São Paulo, Curitiba, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre Alegam ainda que no mesmo período trens, metrô e barcas tiveram reajuste, menos os ônibus

"Consequentemente, as empresas vêm perdendo a capacidade de investir em manutenção e renovação da frota, comprometendo a qualidade do serviço prestado Se isso não for revertido, o resultado será o colapso do sistema, prejudicando 4 milhões de passageiros que usam os ônibus todos os dias e colocando em risco o emprego de 40 mil rodoviários", conclui a nota do Rio Ônibus

Na porta da garagem da Estrela Azul, os funcionários demonstravam revolta com o atraso dos ticket refeição, no valor de R$ 210, e da proposta de parcelamentos do 13º, além do atraso, em pelo menos um mês, de seus salários A intenção era manter a paralisação até que chegassem a um acordo com os patrões

— Está difícil de segurar essa situação Não temos condição de aceitar um parcelamento de dez vezes no 13° — reclamou Gustavo Romualdo, de 40 anos, motorista da linha 292 (Engenho da Rainha-Castelo)

Veja a íntegra da nota do Consórcio Intersul:

"O Consórcio Intersul informa que sempre aciona planos de contingência para operação de forma emergencial nos itinerários operados pelas linhas de empresas em greve Desta forma não é verdade a informação de que a Estrela Azul buscou enfraquecer a paralisação ocorrida nesta sexta-feira, recorrendo a ônibus de outras empresas

É importante esclarecer que a contingência se encontra limitada com o impacto das recentes decisões do poder público que acabam afetando a capacidade operacional do setor em momentos de crise

Desde o início do ano, o Rio Ônibus vem alertando para a crise do setor, agravada pelo congelamento da tarifa e pelas reduções no valor determinadas pela Justiça Isso contribui para a piora na qualidade do serviço e para o risco de fechamento de empresas, prejudicando 4 milhões de passageiros que usam os ônibus todos os dias e colocando em risco o emprego de 40 mil rodoviários

O Rio Ônibus defende que uma auditoria independente indique o valor justo da tarifa para a cidade; e está à disposição para o diálogo com o poder público"

Veja abaixo a íntegra do Rio Ônibus sobre a paralisação na Estrela Azul:

"A Transportes Estrela Azul informa que está em negociação com os rodoviários que realizam uma paralisação e impedem os ônibus de sair da garagem A empresa tem 59 anos de existência e pela primeira vez tem atrasos no ticket refeição e no pagamento do décimo terceiro salário As linhas da Estrela Azul tiveram forte queda de passageiros depois da racionalização das linhas da Zona Sul

Desde o início do ano, o Rio Ônibus vem alertando que o sistema de transporte por ônibus sofre os impactos com a negativa da Prefeitura em reajustar a tarifa, em janeiro, desrespeitando o contrato de concessão; e posteriormente com as duas decisões da Justiça que reduzir a tarifa no total de R$ 0,40, além dos aumentos no preço do óleo diesel

Esse cenário compromete a qualidade do serviço e tem como consequência o risco de fechamento de empresas (atualmente, 11 enfrentam grave situação financeira), prejudicando 4 milhões de passageiros que usam os ônibus todos os dias e colocando em risco o emprego de 40 mil rodoviários

O Rio Ônibus defende que uma auditoria independente indique o valor justo da tarifa para a cidade; e continua à disposição para o diálogo com o poder público"

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